Esclerose Múltipla: Surto e Remissão

Surto e remissão

A esclerose múltipla (EM) pode ser muito diferente de pessoa para pessoa e consoante o tipo. No entanto, cerca de 85% das pessoas vivem com o tipo EM Surto-Remissão (EMSR) e sofrem períodos de surtos e remissão.  É, por isso, importante compreender o que são estes períodos e o que fazer.

Esclerose múltipla surto-remissão: explicar os conceitos

Afinal, o que é um surto? Um surto é um período de tempo limitado em que podem surgir sintomas antigos ou novos sintomas de EM como consequência das lesões no sistema nervoso central (SNC). 

É importante ter presente que os sintomas variam de pessoa para pessoa, bem como de surto para surto. É possível que os surtos sejam diferentes entre si e se, por vezes, parece trazer sintomas ligeiros, noutros casos os sintomas podem ser intensos o suficiente para condicionar o dia a dia da pessoa. Um surto poderá espoletar apenas um sintoma ou vários sintomas em simultâneo, consoante a(s) área(s) do SNC afetada(s).

O período de surto poderá durar apenas 24 horas, alguns dias ou mesmo semanas ou meses. Quando termina o período de surto, com o desaparecimento parcial ou total dos sintomas, dá-se início ao período de remissão.

E o que é a remissão? É um período de recuperação que ocorre após um surto, durante o qual há uma redução dos sintomas. Entrar em remissão não significa, contudo, que os sintomas desapareçam completamente. A pessoa poderá voltar a sentir-se como se sentia antes de o surto começar, mas poderá também continuar o seu dia a dia com alguns sintomas que permanecem após o surto. Embora os sintomas diminuam, a EM pode ainda estar ativa, a evoluir e a provocar lesões no SNC durante o período de remissão.

Agora que detém os conceitos principais, continue a aprofundar os seus conhecimentos sobre a esclerose múltipla surto-remissão!

Como os surtos são diferentes entre si (com sintomas, intensidade ou duração variáveis), nem sempre são fáceis de detetar. Perante uma situação de dúvida é, assim, essencial manter o contacto com a equipa de saúde que acompanha o caso e esclarecer todas as questões.

Para saber se se trata de um surto é necessário confirmar alguns critérios:
• Sintomas com duração superior a 24 horas;
• Se os sintomas ocorreram pelo menos 30 dias após o início de um surto anterior;
• Se a pessoa não tem febre ou uma infeção subjacente;
• Se não existe outra razão para o aparecimento dos sintomas de EM, como por exemplo, efeitos secundários a um tratamento.

Lembre-se: o seu neurologista ou enfermeiro de EM são as pessoas indicadas para o ajudar a saber se está num período de surto ou não.

Uma vez que os surtos são diferentes entre si, as estratégias de tratamento poderão variar. Na presença de sintomas, fale sempre com o seu neurologista ou enfermeiro de EM, especialmente se forem graves ou piorarem com o tempo.

No caso de sentir apenas sintomas ligeiros, poderá não ser necessário fazer um tratamento específico para o surto. No entanto, sendo necessário, existem dois principais tipos de tratamento:

• Medicamentos sintomáticos: podem ajudar a reduzir o impacto dos sintomas (como os corticosteroides), mas não abrandam nem previnem a progressão da EM.

• Tratamentos modificadores da doença (TMD): abrandam ou impedem as lesões causadas pela EM. Deste modo, abrandam também a progressão da incapacidade e reduzem o número de surtos.

Saiba mais sobre o tratamento da EM.
 

Manter um diário da doença é uma estratégia muito utilizada para recuperar o controlo e ajudar a ter uma perspetiva global sobre a gestão da doença. Além disso, é uma ferramenta muito útil para que a equipa de saúde possa analisar o caso com maior pormenor.

O que registar? Só depende de si! Poderá conter um registo apenas dos surtos, com os seus sintomas, intensidade e duração. Poderá ainda levar o registo mais longe com notas que acompanham o dia a dia com a doença, incluindo o tratamento, exercício físico, alimentação e estado psicológico.