Sintomas de esclerose múltipla: mobilidade e visão

Mobilidade e visão

Na esclerose múltipla, a mobilidade e visão podem ser afetadas. Entre os vários sintomas, os que afetam as capacidades físicas ou a visão são comuns, mas lembre-se de que na EM nem todas as pessoas têm os mesmos sintomas e, além disso, a frequência e intensidade podem variar ao longo do tempo.

Os problemas que afetam a mobilidade na EM

Os sintomas que tendem a condicionar ou a dificultar a mobilidade são uma das grandes preocupações de quem vive com EM: podem fazer com que seja mais difícil caminhar, cumprir as rotinas diárias ou manter a independência. 

Ainda que nos pareçam simples, atividades como andar ou estar de pé envolvem várias funções do organismo em articulação. E quando os sintomas da EM afetam uma parte deste processo complexo, a mobilidade como um todo pode ser impactada. Cerca de metade das pessoas com EM apresenta alterações na marcha relacionados com sintomas da doença como a rigidez, a fraqueza muscular, problemas de equilíbrio, tonturas ou fadiga.

No entanto, a boa notícia é que há estratégias disponíveis para ajudar a gerir os diferentes sintomas físicos da EM!

Entre os problemas associados à EM que podem fazer com que seja mais difícil a pessoa deslocar-se estão:

• Problemas de equilíbrio: a EM pode afetar o equilíbrio, podendo aumentar o risco de queda ou levar à perda de confiança ou de independência. Estes problemas podem surgir como consequência de vários sintomas da EM, como os tremores, a rigidez muscular, a fraqueza ou a visão reduzida.

• Espasmos e rigidez: a EM pode danificar os prolongamentos dos neurónios que participam no controlo do movimento dos músculos. Quando isto acontece, os músculos podem ter dificuldade em relaxar, acumulam tensão e ficam mais rígidos, mais resistentes ao movimento e propensos a contrações descontroladas (espasmos). As consequências para o dia a dia dependem dos músculos afetados: problemas que afetam as mãos podem fazer com que seja difícil fazer movimentos de precisão, enquanto problemas que afetam as pernas podem condicionar a mobilidade.

• Tremores: quando a EM afeta os neurónios no cerebelo (área do cérebro que controla o equilíbrio e a coordenação motora) pode desencadear o aparecimento de movimentos involuntários, incontroláveis e rítmicos, chamados de tremores. Estes tanto podem ser ligeiros e quase indetetáveis, como tornar-se mais intensos e com maior impacto nos movimentos diários.

• Fraqueza muscular: é frequente na EM sentir fraqueza muscular (ou seja, falta de força ou sensação de fraqueza e dificuldade ao mover os músculos), o que pode ocorrer em qualquer parte do corpo. Esta fraqueza pode ocorrer por duas razões: porque a doença “ataca” os neurónios responsáveis por estimular os músculos; ou porque os sintomas da EM que perturbam a mobilidade acabam por fazer com que a pessoa se movimente menos, levando ao enfraquecimento dos músculos.

• Formigueiro e dormência: a EM pode ainda provocar a perda ou diminuição da sensação, como se uma parte do corpo estivesse “adormecida”. Ainda que possa ser ocorrer de forma ligeira, as formas mais intensas podem condicionar o movimento, afetando as tarefas diárias. 
 

Existem várias estratégias possíveis para gerir os problemas de mobilidade: a escolha dependerá do tipo de sintomas e sua intensidade, das necessidades individuais da pessoa, bem como das orientações da equipa de saúde que acompanha o doente. É sempre preferível falar com o neurologista ou com o enfermeiro de EM sobre os problemas de mobilidade antes de experimentar quaisquer tratamentos ou abordagens.

Entre os tratamentos possíveis estão:

• Fisioterapia: tratamento que utiliza métodos físicos como a massagem, o tratamento de calor e o exercício;

• Terapia ocupacional: recorrer a certas atividades definidas para ajudar os doentes a recuperar;

• Crioterapia: tratamento que recorre ao uso de temperaturas frias.

Além disso, poderá ser benéfico dialogar com a equipa de saúde sobre os exercícios adequados para estimular a mobilidade, bem como sobre o melhor tipo de calçado a usar e que ferramentas e aparelhos estão disponíveis (como bengalas ou exoesqueletos para as pernas, por exemplo).
 

Os problemas que afetam a visão na EM

Os problemas de visão são relativamente frequentes na EM: são mesmo o primeiro sintoma da doença em muitos dos casos. 

A EM tanto pode afetar a movimentação do olho, como causar nevrite ótica (um problema que surge quando a doença provoca inflamação no nervo ótico). Ter sintomas visuais pode ser uma experiência assustadora, mas fique a saber que a recuperação tende a ter um bom prognóstico.
 

Conheça os diferentes problemas de visão associados à EM:

• Nevrite ótica: ocorre quando a EM provoca a inflamação do nervo ótico. Tende a afetar apenas um olho, mas pode afetar ambos, podendo ainda provocar apenas visão turva ou perda de visão total. Este problema tende a agravar-se ao longo de alguns dias a uma semana, mas a recuperação pode ser mais rápida e a maioria dos casos recupera a visão. Eis os sintomas de nevrite ótica a que deve estar atento:

- Visão turva ou com um ponto cego no centro da visão;
- Cores que parecem mais escuras ou desbotadas;
- Flashes de luz ao mover os olhos;
- Dor ao mover os olhos.

• Nistagmo: movimento involuntário e descontrolado dos olhos. Normalmente ocorre ao olhar em frente ou ao mover os olhos, produzindo a sensação de que o mundo ao redor se está a mexer. 

• Diplopia ou visão dupla: ocorre quando os músculos que promovem o movimento dos olhos não funcionam de forma coordenada. Este problema ocorre quando a EM afeta os músculos que coordenam o movimento dos olhos, podendo ser um problema temporário ou que persiste no tempo.
 

Muitas vezes os problemas desaparecem quando a inflamação ao nível do sistema nervoso central (SNC) diminui, sem que seja preciso tratamento. No entanto, perante sintomas graves é fundamental falar com o seu neurologista sobre as opções terapêuticas. O tratamento com corticosteroides pode ajudar a acelerar a recuperação.

Existem ainda formas de reduzir o impacto da diplopia ou visão dupla: poderá usar um penso sobre o olho afetado ou usar óculos equipados com lentes que realinham as duas imagens.