Sintomas de esclerose múltipla: dor e fadiga

Dor e fadiga

Tanto a dor como a fadiga são sintomas frequentes e “invisíveis” da esclerose múltipla (EM) que podem passar despercebidos e ser menos compreendidos por quem não tem a doença. O impacto ao nível físico e emocional que tanto a fadiga extrema como a dor podem ter na vida do doente é imenso. E, por isso mesmo, é fundamental falar sobre estes sintomas e sobre as várias estratégias de tratamento disponíveis.

A fadiga na EM

Entre as pessoas que vivem com EM há casos em que a sensação de fadiga é o sintoma com mais impacto. Muito diferente da fadiga normal que se sente após um dia atarefado, trata-se de um cansaço extremo e sem causa aparente.

Nem sempre esta fadiga surge da mesma forma: os doentes tendem a sentir que muda ao longo do dia e mesmo durante a semana. Na EM a fadiga é mais severa do que a fadiga normal e pode:

•    Ocorrer todos os dias e surgir subitamente;
•    Surgir de manhã, mesmo depois de uma boa noite de sono;
•    Tornar-se pior à medida que o dia avança e pode ser agravada, por exemplo, pela temperatura;

Além de prejudicar o bem-estar e as tarefas do dia a dia, a fadiga pode ainda:

•    Provocar a sensação de membros pesados e difíceis de controlar, fazendo com que seja difícil segurar objetos ou escrever, por exemplo;
•    Contribuir para problemas de equilíbrio;
•    Contribuir para problemas de visão;
•    Dificultar a concentração.

Descubra o que se pode fazer para reduzir a influência da fadiga na qualidade de vida. 

Uma das principais formas de combater a fadiga é começar por identificar o que pode estar a provocá-la. É certo que na EM a fadiga é mais comum, sem que percebamos exatamente qual a origem deste problema específico. Ainda assim, e observando a rotina poderá ser possível encontrar estratégias para controlar o seu impacto. O primeiro passo será sempre falar com o neurologista ou enfermeiro de EM que poderá ajudar a perceber se é necessário para ou iniciar alguma tarefa do dia a dia, ajustar o exercício físico ou as horas de trabalho.

O que fazer para gerir melhor a fadiga?

•    Mantenha um diário deste sintoma: pode ajudar a perceber padrões, ou seja, em que momentos do dia ou após que atividades surge mais fadiga;

•    Avalie o seu nível de energia: organize as suas tarefas por prioridades para conseguir fazer o que é mais importante quando sente menos fadiga;

•    Identifique o que pode intensificar a fadiga: saber o que pode aumentar este sintoma ajuda a organizar o dia a dia de forma a geri-lo melhor;

•    Não deixe o descanso para depois: é importante garantir que tem momentos no dia planeados para parar e recuperar energias;

•    Não tente fazer tudo sozinho: saber pedir ajuda e delegar pode ser uma forma de garantir que todas as tarefas são feitas sem aumentar o seu cansaço;

•    Descubra como ser mais eficiente: evitar passos desnecessários ou tarefas que acessórias para o que quer fazer pode ser uma forma de se focar no mais importante e evitar perdas de energia. Um exemplo: quando se senta para trabalhar garanta que tem tudo o que pode precisar ao seu redor para evitar ter de se levantar diversas vezes;

•    Mantenha uma alimentação equilibrada: a fadiga pode ser um sinal de que não está a consumir todos os nutrientes necessários;

•    Evite o sedentarismo: fazer exercício regular pode ajudar a diminuir a ansiedade, bem como pode aumentar o nível de energia;

•    Experimente técnicas de relaxamento e outras formas de reduzir o stress: podem ajudá-lo a evitar que o stress consuma alguma da sua energia extra;

•    Ajuste a sua casa e o seu local de trabalho às suas necessidades: manter o seu espaço funcional pode ajudar a reduzir a fadiga;

•    Mantenha uma boa higiene do sono: tente manter uma rotina consistente antes de se deitar para o ajudar a “preparar” para o sono e considere estratégias para reduzir o impacto dos sintomas da EM no sono.

A dor na EM

A dor é um sintoma “invisível” frequente e pode mesmo ser um dos mais difíceis de gerir na EM. Cada pessoa tem uma experiência diferente da dor: há pessoas que descrevem uma dor de esmagamento, uma dor fria ou uma dor quente, ardente, e há ainda quem descreva um aperto no peito, por vezes designado por “abraço da EM”.

A dor pode surgir devido às lesões provocadas pela doença no sistema nervoso central (SNC), também chamada de dor neuropática, ou ainda devido às alterações que a EM desencadeia no organismo associadas à mobilidade, também chamada de dor músculo-esquelética. Ambos os tipos de dor podem temporários ou persistir ao longo do tempo e é necessário identificar qual o tipo presente para escolher a melhor estratégia de tratamento.

Sofrer de dor pode ser uma experiência desgastante e emotiva que, juntamente com a ansiedade e receio associados à EM podem ter um grande impacto na saúde emocional. Por isso, não há razão para deixar este sintoma passar despercebido! Saiba o que pode fazer para gerir e reduzir o impacto da dor no dia a dia.

Antes de mais, é necessário que a dor seja analisada por profissionais de saúde. Dependendo do tipo de dor e da sua intensidade, o neurologista poderá recomendar várias estratégias.

Sabe como descrever a sua dor?
Cada pessoa tem uma experiência diferente da dor. Por esta razão, nem sempre é fácil de perceber qual o tipo de dor presente. Para ajudar o seu neurologista nesta tarefa procure as palavras certas para descrever o que sente: aperto ou esmagamento? dor fria ou quente ao estilo de queimadura? dor fina como se fosse uma agulha? ou como um choque elétrico?

Poderá ainda ajudar o seu médico nesta análise ao explicar como a dor o afeta: é apenas um incómodo ou impede-o de fazer determinadas atividades ou tarefas? Todas as informações são importantes para ter uma imagem clara sobre o impacto da dor na sua vida.

O que fazer para gerir melhor a dor?
A sua equipa de saúde poder-lhe-á sugerir algumas das seguintes estratégias:

•    Tratamento medicamentoso: dependendo do tipo de dor pode necessitar de tratamento com medicamentos, como analgésicos, antidepressivos ou relaxantes musculares, por exemplo.

•    Tratamento não-medicamentoso: da reabilitação à terapia ocupacional, ao exercício físico direcionado, massagens, técnicas de relaxamento e acupuntura são várias as técnicas que o podem ajudar gerir melhor a dor no dia a dia.