Tipos de tratamentos para a esclerose múltipla

Tipos de tratamento

Existem hoje diversos tratamentos para a esclerose múltipla (EM) e para saber qual a opção mais adequada para cada caso é necessário consultar o neurologista e/ou o enfermeiro de EM. Os tratamentos poderão ser selecionados tendo em conta os seguintes objetivos:

•    Modificar a progressão da doença: recorrendo às chamadas terapêuticas modificadoras da doença (TMD).

•    Gerir os surtos da EM: uma vez que os surtos são desencadeados pela inflamação que a EM provoca no sistema nervoso central (SNC) poderá ser necessário recorrer a medicamentos corticosteroides. Estes ajudam o organismo a lidar com a inflamação, no momento, mas não têm efeito a longo prazo no que diz respeito à progressão da EM.

•    Gerir sintomas específicos da EM: além dos medicamentos supracitados existem ainda tratamentos que podem ser usados para problemas específicos da EM, como por exemplo, problemas gastrointestinais ou de bexiga, problemas do foro emocional ou psiquiátrico, dor ou espasticidade. 

O ideal será que, juntamente com a equipa de saúde, o tratamento seja encarado de uma perspetiva multidisciplinar, encontrando opções para as várias necessidades do doente. Ainda que a EM não tenha cura e possa trazer dificuldades para o dia a dia, graças aos tratamentos hoje disponíveis é possível reduzir o impacto da doença e melhorar a qualidade de vida de quem vive com EM.

Continue a sua leitura para descobrir mais sobre os vários tipos de tratamentos para a esclerose múltipla.

As TMD são medicamentos que podem ajudar a prevenir a progressão da EM (diminuindo a acumulação de lesões da doença no SNC) e a reduzir o número e a intensidade dos surtos na EM Surto-Remissão. Estes tratamentos são importantes porque mesmo na ausência de um surto, a EM pode continuar a provocar lesões. 

No entanto, as TMD são apenas utilizadas quando há evidência de que a EM continua a provocar inflamação no SNC – quer seja porque surgem novos surtos, ou porque sucessivas ressonâncias magnéticas demonstram que há formação de novas lesões ou que as lesões antigas aumentaram.

Como funcionam as TMD?
Estes tratamentos modificam a atuação do sistema imunitário, fazendo com que haja uma menor probabilidade de este vir a atacar a mielina dos neurónios que compõem o SNC. Ou seja, reduzem a inflamação, bem como a probabilidade de se formarem novas lesões. 

Porque as TMD são mais eficazes na presença de inflamação são um tratamento sobretudo aplicado às pessoas que vivem com EM Surto-Remissão. No entanto, começam a surgir novas TMD capazes de ajudar quem vive com EM Secundária Progressiva (EMSP) ou tem, desde sempre, EM Primária Progressiva (EMPP) – tipos de EM nos quais parece haver menor grau de inflamação. Ainda assim, é necessária a presença de inflamação para que as TMD possam atuar quer na EMPP, quer na EMSP.

Aspetos a considerar com a equipa de saúde assistente
Porque o impacto da EM varia de pessoa para pessoa, também o tratamento pode não funcionar da mesma forma em duas pessoas. É, assim, importante que o neurologista ou enfermeiro de EM faça um acompanhamento dos resultados do tratamento.

Poderá ser necessário verificar:
•    Quão bem o tratamento está a atrasar ou a prevenir as lesões provocadas pela EM;
•    Como é feita a administração do tratamento;
•    Qual a frequência do tratamento;
•    Quais são os exames ou etapas necessárias para fazer a monitorização do tratamento;
•    Como deve ser feito o armazenamento e a preparação do medicamento;

Como é feito o tratamento com TMD?
Existem atualmente as TMD clássicas e injetáveis, as TMD orais e as TMD de alta eficácia. Cada fármaco possui um perfil diferente, sendo necessário dialogar com a equipa de saúde para confirmar qual a opção que mais benefícios, conforto e segurança trazem para o doente.

Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maior o grau de impacto que poderá ter no controlo da EM no longo prazo. Por isso, não deixe nenhuma questão por esclarecer na hora de falar com o seu médico sobre as TMD. Aproveite e consulte o nosso guia de apoio à consulta

Além das TMD pode ser necessário incluir outros tratamentos que ajudem a gerir os surtos de EM ou sintomas específicos da doença. 

Tratamentos para os surtos de EM
Apesar de não ser fácil determinar o tempo que um surto vai demorar, estes são temporários e o tratamento que pode ser aplicado é, também ele, uma resposta ao momento, por tempo limitado. Poderá haver casos em que o surto é leve e se resolve sem ser necessário tratamento. No entanto, em situações mais graves e com maior impacto para o dia a dia do doente (como, por exemplo, quando a visão ou o equilíbrio são afetados) pode ser necessário recorrer ao tratamento com medicamentos corticosteroides. A toma destes medicamentos deverá ser sempre feita mediante prescrição e aconselhamento de um profissional de saúde e é preciso ter em conta que a sua eficácia não tem influência na progressão da EM.

Tratamentos para sintomas específicos da EM
Ainda que alguns sintomas surjam e desapareçam com o surto, outros podem permanecer nos períodos de remissão. Quando o seu impacto afeta a qualidade de vida, não há razão para que não sejam considerados tratamentos para reduzir esses sintomas.

Quando o objetivo é tratar um sintoma específico, é necessário confirmar quais as opções disponíveis para esse efeito: se há sinais de depressão ou ansiedade, por exemplo, poderá ser benéfico recorrer a medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos e perante sintomas de rigidez muscular poderá ser necessário a medicamentos que promovam o relaxamento muscular.

A resposta depende não só do sintoma em causa e da sua intensidade, mas também das características da pessoa e dos objetivos do tratamento. Hoje existem vários tratamentos disponíveis que podem ajudar na gestão de sintomas gastrointestinais ou de bexiga, de sintomas psiquiátricos, da dor, da fadiga ou da espasticidade, bem como da disfunção sexual, a título de exemplo.

Confirme ainda na nossa secção sobre os sintomas que outras estratégias não medicamentosas de controlo e tratamento podem ser utilizadas.