Monitorizar os sintomas físicos na esclerose múltipla

Monitorizar sintomas

Não há ninguém melhor do que a pessoa que vive com a doença para explicar o que sente. Poderá, porém, não ter noção da forma como a doença evolui, sobretudo se essa evolução for muito gradual. Por isso, manter consultas regulares é fundamental para acompanhar a evolução da EM.

Monitorizar os sintomas físicos da esclerose múltipla (EM) é também uma forma de perceber de que forma a doença evoluiu, bem como se o tratamento está a ter resultados satisfatórios. Perante novos sintomas ou a progressão de sintomas pré-existentes, a equipa de saúde assistente poderá sugerir novas estratégias de tratamento e abordagens para encarar os desafios do dia a dia.

Como preparar para a consulta

É natural que a equipa de saúde faça questões para perceber como evoluíram os vários sintomas: preparar as respostas, bem como levar um diário pode ser uma mais-valia para que os profissionais de saúde tenham uma noção mais clara do que se passa entre consultas. A honestidade é fundamental para preparar os próximos passos na gestão da doença: se há alguém que entenderá os receios e as dúvidas sobre a progressão dos sintomas de saúde é o neurologista e/ou o enfermeiro de EM.

Saiba o que esperar na monitorização dos sintomas físicos!

A EM pode trazer problemas de mobilidade. Sintomas como a falta de equilíbrio, fraqueza muscular ou tremores podem fazer com que seja mais difícil caminhar. E se é verdade que podem aparecer e desaparecer, é também possível que com o tempo se agravem. Por esta razão, pode ser importante monitorizar de perto os sintomas físicos com o apoio da equipa de saúde, de modo a perceber como evoluem e se o tratamento está a ter o efeito desejado.

Mas como é feita esta monitorização?
Através da medição e do registo dos sintomas. A escala usada com maior frequência pelos neurologistas chama-se Escala Expandida do Estado de Incapacidade (Expanded Disability Status Scale, EDSS). Esta centra-se, sobretudo, na avaliação da incapacidade dos membros inferiores. 

A EDSS é uma escala que vai de 0 a 10. Enquanto uma pontuação de 0 indica um funcionamento saudável e normal, uma pontuação alta reflete um aumento das alterações e da incapacidade provocadas pela EM.

Embora algumas classificações da escala possam parecer preocupantes, é preciso ter em atenção que esta simplesmente inclui todos os níveis de incapacidade. Com tratamento adequado a maioria das pessoas não irá alcançar pontuações elevadas, associadas às fases de EM mais avançadas.

O ideal será que a monitorização seja feita com o apoio do neurologista que poderá ter uma melhor noção do que fazer perante os resultados da EDSS. No entanto e se desejar calcular sozinho poderá recorrer a esta ferramenta online.
 

Além da mobilidade que associamos à nossa capacidade de andar, poderá ser também necessário avaliar a função dos braços e das mãos. Esta faz-se recorrendo a um outro tipo de teste, chamado de Teste de 9 Buracos e Pinos (9-Hole Peg Test, 9-HPT). Tal como com a escala EDSS para a avaliação da mobilidade, o neurologista ou enfermeiro de EM tentarão manter um registo destas pontuações para observar como os seus sintomas mudam ao longo do tempo e perceber quão a EM está a ser bem gerida. 

Este teste funciona testando a capacidade de usar ambas as mãos duas vezes numa tarefa específica: quanto tempo demora a agarrar em 9 pinos, colocá-los em 9 buracos e depois removê-los novamente, com o tempo cronometrado. O teste é simples e poderá demorar até 10 minutos, dependendo das capacidades do doente.