Evolução da Esclerose Múltipla

Evolução da EM

A evolução da Esclerose Múltipla (EM) varia de pessoa para pessoa, de acordo com o tipo de EM. Algumas pessoas diagnosticadas com EM irão continuar a viver com sintomas ligeiros após o diagnóstico, enquanto outras poderão sentir uma rápida progressão da doença. A EM tem diferentes fases e as pessoas podem passar por todas ou apenas por algumas. 

Evolução da EMSR

A evolução da esclerose múltipla depende das características e fases associadas ao tipo de EM:

A evolução da esclerose múltipla

•    Síndrome Radiologicamente Isolada (SRI)
Nesta fase poderão existir alterações no cérebro, observadas por ressonância magnética, sugestivas de EM, sem que existam sinais ou sintomas que indiquem um problema.  

•    Síndrome Clinicamente Isolada (SCI)
A Síndrome Clinicamente Isolada (SCI) é um primeiro episódio de sintomas neurológicos causados por inflamação e desmielinização no SNC que é sugestivo de EM, mas não pode ainda ser diagnosticado como EM. As pessoas que sofrem um SCI podem, ou não, desenvolver a doença. 

•    EM Surto-Remissão (EMSR)
A evolução da EMSR caracteriza-se por um agravamento de sintomas (denominados por surtos ou exacerbações), seguidos de períodos de recuperação parcial ou completa (remissões). Durante a fase de remissão, todos os sintomas podem desaparecer ou alguns podem continuar e tornar-se permanentes. No entanto, não há progressão aparente da doença durante os períodos de remissão. Podem registar-se, ou não, aumentos confirmados de incapacidade em períodos pós-surto.
 
•    EM Secundária-Progressiva (EMSP)
A EMSR pode progredir para Esclerose Múltipla Secundária Progressiva (EMSP). Mas se antigamente esta progressão ocorria em cerca de 90% dos casos no espaço de 25 anos, hoje, e graças a novas opções terapêuticas, o mesmo já não se verifica. Este tipo de EM caracteriza-se por uma progressão da incapacidade e um declínio nas funções ao longo do tempo, com ou sem períodos de surto e remissão.  

Aproveite para compreender melhor alguns aspetos relacionados com a evolução da Esclerose Múltipla.

•    As pessoas que iniciam tratamento para a EM após três anos do início dos sintomas têm maior probabilidade de agravamento da incapacidade (dificuldade em andar) mais cedo, por comparação com os que iniciaram tratamento no prazo de um ano;

•    Nas fases iniciais da doença podem ocorrer danos no cérebro que não causam sintomas visíveis;

•    Com o tempo, os danos no cérebro podem acumular-se e dar origem a sintomas que podem conduzir ao agravamento da incapacidade;

•    Sem tratamento, as pessoas com EMSR têm um maior risco de evoluírem para EMSP.

No início da doença, o cérebro pode encontrar formas de compensar parcialmente as células nervosas danificadas (neurónios) usando outras vias para enviar sinais das partes danificadas do cérebro para as regiões não danificadas. Desta forma é possível repor a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo. 

O cérebro também tenta lidar com a perda de células nervosas reparando a mielina, um processo que se denomina por remielinização. Estes mecanismos de reparação podem mascarar os sintomas, o que faz com que algumas pessoas possam ficar sem diagnóstico e sem tratamento nas fases iniciais da doença. 

À medida que envelhecemos, o cérebro encolhe gradualmente. Este processo denomina-se por atrofia cerebral ou perda de volume cerebral. Decorre normalmente do envelhecimento e nas pessoas com EM ocorre de forma mais rápida.  

Embora o corpo tente reparar o revestimento de mielina protetor dos neurónios danificado na EM este processo de reparação está longe de ser perfeito. E, à medida que o tempo passa, começa a ser insuficiente para evitar mais danos nos neurónios. As áreas com danos tornam-se mais extensas e o resultado da acumulação de danos pode resultar em atrofia cerebral.
 
À medida que a EM evolui, partes do SNC podem começar a ficar definitivamente bloqueadas. Nesta fase a incapacidade pode piorar ao longo do tempo, com ou sem surtos, e a situação evolui para uma EM Secundária-Progressiva (EMSP).